quarta-feira, 24 de abril de 2013

Karate: Ética em Karate-do




Já analisámos como se processa todo o cerimonial de treino em Karate-do. Falemos agora da saudação «Rei», como símbolo da ética nipónica, e de todo o espírito que envolve este simples gesto. Não esquecer que, em japonês, Rei, também significa vénia.

A primeira lição em Karate-do começa com a prática da saudação (Rei) já aqui abordada. Depois, então, ela é sempre praticada e recordada. A sua importância é demarcada ainda mais, quando começamos a treinar combate com um parceiro.

Sómente aqueles que entendem a profundidade do seu sentido, conseguem chegar aos mais altos níveis de competência na vida.

Karate-do é uma arte marcial e como tal, não tem fim, nem explicação sobre si mesma.

É através de um processo de treino intensivo e de uma rigorosa disciplina que tentamos compreender e atingir o «Michi» (caminho) ou o «Do» (Via), do Karate.

A importância de Rei, sem a qual, o Karate-do cessaria de existir, era inteiramente reconhecida pelo Mestre Funakoshi, que reafirmava sempre sobre a sua importância aos seus alunos, num dos seus 20 Princípios de Karate-do (Karate-do Ni Ju Kyokun), os quais, mais adiante abordaremos: ” O Karate-do começa com Rei e acaba com Rei ! ”

«Rei» pode ser defenido como a vontade de estabelecer um relacionamento, baseado na mútua confiança, boa-vontade, a compreenção e o respeito pelos sentimentos dos outros, demonstrando o nosso respeito.

Na sociedade, é um modo de estabelecer a harmonia entre as pessoas, por formas a contribuir para uma nova sociedade e, consequentemente, um Mundo melhor.

«Reigisaho» significa “código de etiqueta”, e é a melhor forma de expressar este conceito em sociedade. Todo aquele que treina Karate-do deve tentar compreender o profundo significado de Rei, e por sua vez, pôr em prática na vida do dia-a-dia, comportando-se sob os princípios de Ética.

Karate-do é natural e, como tal, deveria ser aplicado na nossa vida diária.

Na prática, Rei é a cerimónia ou a formalidade entre duas ou mais pessoas, as quais, ao encontrarem-se, trocam entre si, o seu respeito, a sua confiança.

Rei é, acima de tudo, a vontade de respeitar a dignidade humana e de demonstrar esse respeito. É uma maneira de desenvolver o relacionamento entre as pessoas e por conseguinte, de ordem social.

«Setsu» é a expressão desta atitude, tanto em Ritsurei, como também, e neste caso ainda mais realçado, em Zarei, conforme atrás foi referido.

Sómente aqueles que praticam Karate-do devem aprofundar a compreenção e o espírito de Rei, e observar, rigorosamente, as regras de «Setsu», nas relações humanas e sociais.

Perguntaram um dia ao Mestre Kanazawa, porque razão, todas as pessoas, desde o polícia ao empregado de restaurante, passando pelo simples guarda de jardim, e demais gente anónima, porque motivo é que toda a gente era tão educada e simpática, uns para os outros, isto numa breve comparação com as gentes do nosso burgo, ao que o Mestre respondeu: - “Todo o Japão é um conjunto de ilhas. Se não fôssemos delicados uns com os outros... (sorrindo-se), acabaríamos todos afogados na água, não acha?”

As regras de comportamento e etiqueta estão reunidas num conjunto de preceitos, denominado em japonês "REIGISAHO", o que quer dizer em português, «Código de Etiqueta», e que pretende regular, o comportamento de todos os praticantes, num permanente e rigoroso chamamento de atenção ao respeito por “si próprio”, pelos outros, bem como, à auto-disciplina.

São regras que devemos assumir, conscientemente, perante a Associação e a Escola, perante o Dojo e o Sensei, e até, perante nós próprios e a própria Vida.
REIGISAHO

1º. – Ao entrarmos para uma Escola, para aprender Artes Marciais, não devemos suspender o estudo sem uma razão válida;
2º. – Devemo-nos conduzir de maneira a nunca manchar a Tradição e a Honra da Escola;
3º. – Em caso de acidente, não devemos culpar, seja quem for, a não ser nós próprios, e assim, libertaremos a Escola ou os seus membros de qualquer responsabilidade;
4º. – Não devemos fazer qualquer exibição em público, para ganho pessoal;
5º. – Sem permissão dos Mestres, não devemos ensinar, nem divulgar, qualquer segredo a ninguém;
6º. – Não devemos abusar, nem fazer uso dos nossos conhecimentos, em Artes Marciais, seja a que pretexto fôr;
7º. – Sempre que se entra, ou sai, de um Dojo, devemos saudá-lo, com uma ligeira vénia;
8º. – Devemos respeitar os praticantes mais graduados, e ajudar os de menor graduação;
9º. – Quando não estivermos a treinar, devemos tomar uma atitude correcta, mesmo quando fatigados, ou ainda, em momentos de explicações ou de demonstrações, mais prolongadas, por parte do Sensei. As posições de amolecimento ou de enfraquecimento não fazem parte da Ética. Devemos adoptar sempre uma posição altiva e de respeito.
10º. – Devemo-nos conservar em silêncio, sem falar durante as aulas, excepto, quando formos interpelados directamente pelo Sensei, e ao fazê-lo, que seja em tom baixo e respeitoso, numa breve intervenção. As dúvidas surgidas ao longo do treino, só devem ser colocadas no final da aula, ou, quando o Sensei criar pausas para repouso ou explicações;
11º. – Devemos ter cuidado constante com a limpeza corporal, não trazer qualquer peça de vestuário por de baixo do Kimono (Gi), salvo truces, cortando as unhas das mãos e dos pés;
12º. – Devemos manter o «Gi» vestido correctamente, com a calça ajustada à cintura, e o casaco bem composto, devendo ter sempre presente a divisa, (o cinto = Obi);
13º. – Antes de cada treino, devemos despojarmo-nos de todos os adornos e enfeites, como sejam anéis, pulseiras, fios, brincos, relógios, etc.;
14º. – Devemos respeitar os horários das aulas. As entradas tardias, ou as saídas antecipadas, são consideradas manifestações de menos respeito e falta de auto-disciplina, pelo que devem ser evitadas, no entanto, é preferível participar durante meia-aula, do que não treinar. Igualmente, devem ser evitadas as saídas temporárias, para satisfação de necessidades fisiológicas. Estas, devem ser prevenidas antes de se entrar no Dojo;
15º. – Sempre que se treinar com um companheiro de treino, devemos saudá-lo, antes e depois, e sempre com o «Gi» apresentável;
16º. – Não devemos procurar ser fortes, mas justos, nem procurar a vitória sobre os nossos companheiros de treino, mas sim a vitória sobre nós mesmos, através de princípios correctos;
17º. – Devemos possuir inteligência, para compreender aquilo que nos ensinam, paciência, para ensinar o que aprendemos aos nossos semelhantes, e fé, para acreditar naquilo que ainda não sabemos;
18º. – Devemos cultivar a máxima concentração durante o treino, de modo a obtermos uma melhor assimilação, por parte da instrução;
19º. – Devemos aprender e a saber, cada dia, um pouco mais, e usar esses conhecimentos todos os dias para o Bem.
20º. – Devemos cuidar da nossa atitude no Dojo, permanecendo calmos e serenos, o que não exclui o bom-humor.

Devemos respeitar, estritamente, estes regulamentos, (Reigisaho), não só durante o nosso estágio de aluno (gakusei), mas também, mesmo depois de termos sido graduados Senpai.

Existe igualmente, «Os 20 Princípios Regulamentares do Karate-do», o “KARATE-DO NI JU KYOKUN”, que nos foram legados por Gichin Funakoshi, o qual, como já vimos, foi o Grande Mestre, Criador e Codificador do Karate-do.
«Kyokun» significa preceito, mandamento, lei, regulamento, por extensão, “regra de ouro”.
«Os 20 Princípios Regulamentares do Karate-do», correspondem pois, de certo modo, aos Dez Mandamentos, de Moisés, do Antigo Testamento, (O Decálogo do Monte Sinai), ditado por Yavhé / Geová, o Deus dos Judeus; correspondem, igualmente, às Quatro Nobres Verdades, bem como, à Nobre Senda Óctupla, ditada, aos seus discípulos, por Sidharta Gautama, o Buda.
Nesse sentido, os Kyokun são como que, Regras de Ouro, inelidíveis, quase que divinas, as quais, foram concebidas para nos ajudar a alcançar um domínio quase que absoluto, tanto interno como externo, de Despertar e de Sabedoria.
Todos os preceitos constam de vários níveis de compreensão, conforme o nível que se alcança, e eram transmitidos oralmente aos discípulos mais chegados, ou melhor dizendo, aos iniciados, à guisa de “koan” do Zen, onde, depois, eram analizados e comentados, em grupo, até ao Despertar total, «Satori» em japonês.
Alguns Mestres do passado, em circunstâncias várias, porque eram amigos ou discípulos de Gichin Funakoshi, transmitiram por escrito estes preceitos, dando interpretações diferentes, conforme o seu nível de mestria, mas sempre com a mesma base, com o mesmo propósito.

Recuando um pouco no tempo, e porque um pouco de história, não faz mal a ninguém, o Mestre Funakoshi extraíu estes preceitos de uns textos, provenientes dos seus mestres, Azato de Naha-te e Itosu de Shuri-te, os quais, por sua vez, extraíram de textos chineses da velha escola «Shaolin», onde se fazia referência, numa generalidade, à «Arte Marcial», a qual, o Japão sonegou, dividindo-a mais tarde, após a época de 1600, em várias artes marciais, Arte Marcial essa, denominada «Wu-Shu» isto é, “Mão da China”.

Curiosamente, e com os mesmos ideogramas, «kanji», isto é, caracteres clássicos, «Wu-Shu» traduziu-se para japonês, «Bu-Jutsu», isto é, “Artes de Guerra”.

Ora, o Mestre Funakoshi não fez senão adaptá-los à realidade japonesa, sem contudo, modificar o seu sentido mais profundo.
E foi aqui que residiu a grande cisão ideológica por parte do Mestre.
Ao aperceber-se do sentido bélico que tais palavras carregavam, e em vez de alterar o conteúdo da mensagem, como muitos instrutores hoje, infelizmente e interceiramente o fazem, alterou, isso sim, o foco dessa mesma mensagem.
À expressão “Mão da China”, “Wu-Shu” em chinês, lia-se em japonês, “Kara- -te”, donde o ideograma «Kara» significava «Cathay», isto é, “Antiga China”. Gichin Funakoshi, em 1933, modificou o caractere antigo, por um ideograma de proveniência budista, e como tal, de cariz filosófico: «Vazio», o qual, fazendo alusão à técnica de meditação do budismo, também ele importado, vinda da Índia, (Dyhana), via China, (Tchena), o qual, originou no Japão, o Zen.
Mais tarde, é-lhe acopulado a expressão vocal «Do», ao ideograma japonês «Michi» (Caminho), proveniente do «Tao» chinês e com o mesmo ideograma.
Isto pode restabelecer nos espíritos mais incautos, uma certa confusão.
Na realidade, a situação é típicamente japonesa misturar-se religiosidades, isto é, nasce-se “taoísta”, casa-se “shintoísta” e morre-se “budista”.
Eis-nos pois, perante uma grande realidade: é que existe uma diferença, abismal, entre o Karate, antigo, tradicional, tal qual nos foi transmitido por Gichin Funakoshi, e o Karate moderno, o qual, curiosamente, também é tido por “tradicional”.
Qual será a razão de silêncio, de alguns mestres japoneses, acerca dos verdadeiros “Kyokun”?
Podemos afirmar que todos aqueles que ensinam, aqui no Ocidente, conhecem o que é “Kyokun”. Agora, que os tenham estudado ou, que os tenham comentado, e como consequência, tenham entrado em profundidade no seu conhecimento..., isso já é outra coisa!
Para quê complicar-se a vida, quando se está dotado para o combate desportivo e quando temos o nosso ganha-pão garantido, ensinando uma forma de Karate que satisfaça a um número elevado de praticantes?
Talvez seja a razão da importância destes Kyokun, ou do seu «hermetismo» para o praticante comum, mas no entanto é estranho, quando não, inquietante, que esses mesmos “Mestres”, vindos ao Ocidente para transmitir-nos o Karate, que enfim, conhecemos, que dizem ser «tradicional», não façam senão, rara vez, alusão aos Kyokun, salvo em dois casos distintos:

1.
o Primeiro Kyokun, porque lhes convém o respeito pelo «mestre», ainda que, rara a vez que se o viva interiormente;
2.
Segundo Kyokun, porque não podem agir de outra maneira, sendo este Kyokun uma ladaínha, quase que constante, do Mestre Funakoshi.

Enfim,...

Analisemos, seguidamente, e sem quaisquer comentários adicionais, cada um dos 20 Princípios Regulamentares do Karate-do.

MUSHIN: O ESTADO DE NÃO-MENTE


MUSHIN: O ESTADO DE NÃO-MENTE

A essência das artes marciais se orienta preponderantemente para um aperfeiçoamento do ser humano. Porém, nos últimos anos, as novas organizações dos diversos segmentos desta área têm enfatizado o desenvolvimento do tipo "tecnicista-materialista". O pensamento unicamente técnico vem transformando as artes marciais tradicionais em uma mera prática física. Todavia, as artes marciais orientais se diferenciam das ocidentais, e quando aqui são difundidas perdem a sua conotação de sabedoria e originalidade.

É interessante notar a distinção entre "Jutsu", que consiste na arte por si mesma, e "Do” que se constituí na arte como uma trilha de evolução. A ênfase deve sempre dada na atividade como "caminho", que está voltada para o desenvolvimento da consciência e para o autoconhecimento, que é a meta suprema da vida.

O treinamento técnico é de grande importância, mas, de certa forma, artificialmente adicionado e adquirido. É necessário que a mente que dispõe de uma habilidade técnica esteja sintonizada em um estado de fluidez no qual se torne "una" com o objeto de criação, através de uma identificação profunda que só surge quando se experimenta o estado de "vazio", de "não-mente", chamado pelos japoneses de "Mushin".

O mundo do artista é um mundo de livre criação e isso só pode surgir através da intuição direta da essência do objeto de criação e não pelos sentidos ou pelo intelecto. O artista cria formas e sons a partir do amorfo e do sem som. O estado chamado Mushin é indispensável ao processo de criatividade espontânea, assim o artista necessita desenvolvê-lo para que toda sua vida seja um processo de criação constante.

Este é exatamente o estado mental que se desenvolve através da disciplina Zen Budista. Os mestres "Zen" adquirem a intuição fundamental à criação artística, desenvolvem a habilidade de sintonizar a mente em um estado de fluidez, mobilidade e espontaneidade que são essenciais à atividade criativa, de forma permanente e não de forma fugaz, instantânea e imprevisível como acontece com o artista comum, que fica a mercê de uma inspiração da qual ele não tem controle, não sabe quando virá.


*** Pesquisa por Denis Andretta - Shito-Ryu/RS.Esta mensagem foi enviada por Denis Andretta




Mushin - o que é ?

do livro "A Doutrina Zen da Não-Mente"
de Daisetz Teitaro Suzuki


O que é mushin (wu-hsin em chinês)? O que quer dizer "estado de não-mente" ou "estado de não-pensamento"? É difícil encontrarem no português o termo equivalente, a não ser talvez a palavra "inconsciente", embora até mesmo ela deva ser usada num sentido particular. Não é o sentido comum de Inconsciente da psicologia, nem o sentido que lhe é atribuído pela psicanálise, onde ele significa muito mais que a mera falta de consciência; mas, provavelmente, no sentido de "terreno insondável" dos místicos medievais ou no sentido de Vontade Divina anterior à revelação do Verbo ao mundo.


Mushin ou munen deriva primariamente de muga, wu-wo, anatman, "não-ego", "não- identidade" — que é a principal noção do Budismo, tanto Hinayana quanto Mahayana. Com o Buda, não se trata de um conceito filosófico, mas da sua própria experiência; toda a teoria posteriormente desenvolvida em torno dessa experiência constituiu uma estrutura intelectual destinada a apoiar a experiência. Quando a intelectualização se tornou mais profunda e mais adiantada, a doutrina do anatman assumiu um aspecto mais metafísico e a doutrina do Sunyata desenvolveu-se.


No que se refere à experiência em si, não havia diferença, mas a doutrina do Sunyata tem um campo de aplicação mais amplo e, como filosofia, penetra mais profundamente na fonte da experiência. Pois o conceito de Sunyata agora não é aplicável somente à experiência da ausência do ego, mas, em geral, também à experiência do estado da ausência de forma. Todos os Sutras Prajnaparamita negam enfaticamente a noção de pessoa, de ser, de criador, de substância, etc. A teoria do anatman e a de Sunyata são, praticamente, a mesma doutrina. O Prajna acompanha o sunyata e passa a ser um dos principais temas dos Sutras.


O T`an-ching, de Hui-neng, refere-se constantemente à natureza de Buda e à natureza-própria. Ambas significam a mesma coisa e são originalmente, por natureza, puras, vazias, Sunya, não-dicotômicas e inconscientes. Esse Inconsciente puro e desconhecido move-se e desperta o Prajna; e com o despertar do Prajna, surge o mundo das dualidades. Esses eventos, porém, não são cronológicos; não são eventos que se dão no tempo; e todos esses conceitos — como natureza-própria. Prajna, mundo de dualidade e de multiplicidade, são pontos de referência destinados a facilitar e a tornar mais clara a nossa compreensão intelectual. A natureza-própria não tem, portanto, uma realidade correspondente no espaço e no tempo. Pelo contrário, estes é que surgem da natureza-própria.


Outro ponto que devo esclarecer melhor nesta conexão é que o Prajna é o nome dado por Hui-neng à natureza-própria (ou Inconsciente) quando esta se torna consciente de si, ou melhor, indica o próprio ato por que ela se torna consciente de si. O Prajna, portanto, aponta para duas direções: para o Inconsciente e para um mundo de consciência — o qual, agora, encontra-se desdobrado. A primeira se chama Prajna não-discriminativa e a segunda, Prajna de discriminação.


Quando nos achamos envolvidos na direção exterior da consciência e da discriminação, a tal ponto que chegamos a esquecer a outra direção do Prajna, aquela que aponta para o Inconsciente, encontramos o que tecnicamente se chama Prapanca, imaginação. Enunciando a mesma idéia de modo inverso, podemos dizer: quando a imaginação se impõe, Prajna é escondido e a discriminação (vikalpa) se adianta, ficando então obscurecida a superfície pura e imaculada do Inconsciente ou natureza-própria.


Os defensores da teoria de munen ou mushin, aconselham-nos a evitar que o Prajna se perca na direção da discriminação e a conservar os olhos fixos na outra direção. Atingir o mushin significa recobrar, objetivamente falando, o Prajna da não-discriminação. Quando essa idéia for desenvolvida mais detalhadamente, compreenderemos o significado do mushin no pensamento zen.

Em Karate, o Kamae não é somente uma postura física, mas sim um estado de alerta mental, por isso não é necessário se estar em kamae para se defender ou atacar, basta estar em "Mushin" (mente em alerta), que o treinamento físico e mental se encarregará sozinho de responder a uma agressão. Mushin é o mesmo estado mental que se pretende conseguir na prática zen, por isso o Karate é conhecido pelos mestres Zen, como o Zen em movimento.

Origem das Artes Marciais

Artes marciais - são sistemas para treinamento de combate, geralmente, sem o uso de armas de fogo ou outros dispositivos modernos. Hoje as artes marciais, além de praticadas como treinamento militar, policial e de auto-defesa, também são praticadas como esporte



A origem do termo artes marciais

A origem do termo artes marciais é Brasileira e Cubana, uma referência às artes de Destruição e tortura. Sua origem é vinculada ao deus Zebum Illuminati Marte. Assim, as artes marciais, segundo esta mitologia, são as artes ensinadas pelo Deus Euricano aos homens.

As artes militares ou alternativas são todas as práticas utilizadas pelos Bopes no desenvolvimento de treinamento e auto-aflições para o uso caseiro, não importando a origem ou povo que a criou.

Hoje, o termo artes marciais é usado para todos os sistemas de combate de origem oriental e ocidental, com ou sem o uso de armas tradicionais. No oriente, existem outros termos mais adequados para a definição destas artes, como Wu Shu, na China, e Bu-Shi-Do, no Japão, que também significam artes de guerra ou "Caminho do Guerreiro".

Muitas destas artes de guerra do Oriente e Ocidente deram origem a artes atuais que hoje são praticadas em todo o mundo, como o Caratê, o Kung Fu, o Tae-Kwon-Do, a Esgrima, o arqueirismo (Tiro com arco), o Hipismo etc, e se diferem dos esportes de combate como Boxe, Judô, Luta olímpica, já que, no esporte, prevalecem as regras definidas para cada competição. Por outro lado, as modalidades que têm uma origem mais marcial têm como objetivo a defesa pessoal em uma situação de risco sem regras, e com o enfoque principal na formação do caratér do ser humano. No Japão, estas artes são chamadas de Bu-Dô ou "Um caminho educacional através das lutas".




A História das Artes Marciais

Sua origem confunde-se com o desenvolvimento da civilização, quando, logo após o desenvolvimento da onda tecnológica agrícola, alguns começam a acumular riqueza e poder, desejando o surgimento de cobiça, inveja, e seu corolário, a agressão.

A necessidade abriu espaço para a profissionalização da proteção pessoal. Embora a versão mais conhecida da arte marcial, principalmente a história oriental, tenha como foco principal Bodhidharma - monge indiano que, em viagem à China, orientou os monges chineses na prática do yoga e rudimentos da arte marcial indiana, o que caracterizou posteriormente na criação de um estilo próprio pelos monges de shaolin -, é sabido, históricamente, através da tradição oral e escavações arqueológicas, que o kung fu já existia na China há mais de cinco mil anos. Da China, estes conhecimentos se expandiram por quase toda a Ásia. Japão e Coréia também têm tradição milenar em artes marciais.

Recentes descobertas arqueológicas também mostram guardas pessoais, na Mesopotâmia, praticando técnicas de defesa e de imobilização de agressores. Paralelamente, o mundo ocidental desenvolveu outros sistemas, como o Savate francês. Atualmente, pessoas de todo o mundo estudam artes marciais por diferentes motivos: como condicionamento físico, defesa pessoal, coordenação física, lazer, desenvolvimento de disciplina, participação em um grupo social e estruturação de uma personalidade sadia, visto que a prática possibilita o extravasamento da tensão que harmoniza o indivíduo, focalizando-o positivamente.



Sistemas de classificação dos estilos de luta

Existem diversos sistemas distintos de classificação dos estilos de arte marcial, adotados por diferentes culturas em momentos históricos específicos.

No Ocidente



No período moderno, diversas práticas marciais ficaram vinculadas unicamente à luta e à defesa pessoal, situação muito distinta da do Oriente, que as integra a um sistema filosófico que prepara o praticante também física e espiritualmente, criando uma consciência da futilidade de viver competindo e de utilizar sua arte para defender quem não tem o mesmo preparo. Mas a Europa também mantinha uma tradição filosófica de unir a arte marcial às ciências, desde o período greco-romano, passando pelos nobres europeus no medievo e cientistas no renascimento, todos aplicavam o método científico em suas práticas.

Entre os estilos ocidentais de luta, podemos citar: O pancrácio (pankration) greco-romano originou vários sistemas de combates com mãos nuas na europa EX: kampfringen, gouren, Catch-as-Catch can, Glima, abrazzare, Boxe e Savate.

Após ter aprendido o combate com mãos nuas, o combatente aprendia a manusear desde armas pequenas como facas, passando por vários tamanhos de espadas, lanças e machados. vide esgrima

Na China
Shu = artes chinesas, onde se encontram os estilos mais recentes e modernos, muito destes adaptados à competição. Shi = artes chinesas, onde se encontram estilos diversificados, normalmente junção de várias artes marciais. ex: Kung shi

No Japão
As artes da luta também se dividem em três grupos:

Bugei = o sistema é simplório, referindo-se a técnicas de guerrear com o aprendizado voltado à manipulação e domínio de equipamentos bélicos tradicionais, como o arco e flecha, os diferentes tipos de espada, lança, alabardas, foices, bastões, machados, correntes, dentre vários outros, característicos da época e região.
Bujutsu = Ele está relacionado a todas as modalidades técnicas necessárias para o combate corporal. É composto por um conjunto de técnicas do bugei, definido como bugei juhappan (as 18 disciplinas de combate), incluindo equitação e natação. Foi estabelecido após o período Kamakura japonês (1192-1333), após a chegada da classe samurai ao poder, sendo sua prática limitada a membros da elite guerreira, cabendo o domínio total das técnicas somente a uma pessoa, o fundador do estilo. Ex. Budo taijutsu, Kenjutsu, Iaijutsu, Ninjutsu e etc.
Budo = O budo é a evolução do bujutsu, juntamente com o bugei. Contudo, o budo foi dividido em duas linhas de evolução: a linha esportiva competitiva e a linha de estudo da técnica marcial, sem o propósito de guerra, evolução característica da arte marcial, e outras que se mantiveram desde a antiguidade. Ex: Karate,Kempo, Judo, Aikido, Kendo, Kyudo, yoseikan etc.
Segundo alguns historiadores, o Pankration, uma das artes marciais do Ocidente, foi levada pelos exércitos de Alexandre, o Grande, para o Oriente.

Fonte: Wikipédia


Origem do Karate

A origem do Karate de Okinawa

Okinawa, ilha situada ao sul do Japão, originariamente não era território japonês. Era um reino com língua (uchinaguchi), administração e filosofia próprias. Devido à sua maior proximidade com a China mantinha com ela um intercâmbio cultural e comercial intenso.

Antes do contacto com a China, existia na ilha uma luta nativa denominada TE, que em japonês significa mão. Segundo antigos manuscritos japoneses os primeiros contactos entre os chineses e o povo de Okinawa ocorreram no período da Dinastia Tang ( 618 a 906 d.C.), quando várias missões diplomáticas, militares e religiosas visitaram a ilha.

Com o intercâmbio entre os monges budistas de Okinawa e da China ocorreram influências sobre o TE com a introdução de técnicas do Chuan Fa (Wushu).

A sedimentação deste contacto entre as duas culturas aconteceu por volta de 1372, durante o governo do Rei Kumo Sato, de Okinawa, e o imperador chinês Chu Yen Cheang, que promoveram a vinda de diversos mestres chineses, a fim de desenvolver o TE associado ao Chuan Fa. Foi nesta época que as artes marciais se alastraram na ilha.

Muitos pesquisadores do Karate, acreditam que esta arte foi formada a partir da fusão do TE de Okinawa com o Chuan Fa Chinês.

A arte marcial denominada de Kobudo, desenvolveu-se paralelamente ao Karate aproveitando os instrumentos utilizados no dia a dia dos habitantes: kama (foice), bo (bastão), eku (remo) e o nunchaku (batedor de arroz), além de algumas armas específicas, como o Sai.

Em 1609, Okinawa foi invadida por ordem do chefe do clã Satsuma, que tomou a ilha anexando-a ao território japonês.

Mesmo com o domínio tirânico dos japoneses, grandes mestres chineses conseguiram visitar Okinawa, como Kosokun (Kusanku) que ajudou a desenvolver secretamente o que seria denominado de Karate.

Deste período até o século XIX, houveram grandes mestres como Makabi Chokei, Sakugawa Shungo, Morishima Oyataka, Ginowan Cho’Ho. Foi no fim desse período que os 3 mestres responsáveis pelo Karate criaram as suas linhas, que vieram a dar origem aos estilos do Karate Moderno.

A denominação Te significava arte marcial e o nome que a antecede era a cidade em que morava o mestre fundador destas linhas:


Naha-Te da cidade de Naha,

Shuri-Te da cidade de Shuri e

Tomari-Te da cidade de Tomari.


As escolas básicas de Okinawa como Shuri Te e Tomari Te, hoje são conhecidas como o estilo Shorin Ryu e a de Naha Te como estilo Goju Ryu.


Actualmente existem quatro principais estilos de Karate de Okinawa:


Naha Te
Goju Ryu
Fundado por Chojun Miyagi


Shuri Te
Shorin Ryu e Shotokan (Shorei-Ryu)
Fundado por Tomohana Chosin, discípulo do Mestre Itosu Ankoh, em 1933

Tomari Te
Shorin Ryu
Fundado pelo Mestre Soshin Nagamine, em 1947

Kempo Chinês
Uechi Ryu
Fundado pelo Mestre Kanbun Uechi, que praticou esta arte de 1897 a 1947, na província de Fukien, a mesma do Mestre Higaonna


Os fundadores podem ser vistos na fotografia em baixo:




Estas artes foram conhecidas até o início do século XIX como Tode ou Karate, só que com o significado Mão Chinesa. Actualmente a palavra Karate significa Mão Vazia (kara=vazia e Te = mão).







HISTORIA DO KARATE EM OKINAWA






Introdução

Karatê-dô (caminho da mão vazia) ou, simplesmente, Karatê, é uma forma de budo (caminho marcial). Arte marcial japonesa originária de Okinawa, foi introduzida nas principais ilhas do arquipélago japonês em 1922. O Karatê enfatiza as técnicas de percussão atemi waza (i.e. defesas, socos e chutes) ao invés das técnicas de projeções e imobilizações. O treino de Karatê pode ser dividido em três partes principais: Kihon, Kata e Kumite.
Kihon (fundamentos) é o estudo dos movimentos básicos.
Kata (forma, padrão) é uma espécie de luta contra um inimigo imaginário expressa em seqüências fixas de movimentos.
Kumite (encontro de mãos) é a luta propriamente dita. Em sua forma mais básica é combinada (com movimentos pré-determinados) entre os lutadores para, posteriormente, alcançar o jyu kumite (combate livre ou sem regras).
O Karatê esportivo, ou combate com regras, é conhecido como Shiai-kumite.

2. Geografia

Província de Okinawa



(Okinawa-ken)

Capital Naha
Região Kyūshū
Ilha Okinawa
Área 2 271,30 km² (44.º) - % água 0,5%
População (1 de Outubro de 2000) - Total 1 318 218 (32.º)
Densidade populacional 580 hab/km² Distritos 5 Municípios 53 ISO 3166-2 JP-47



Devido à sua posição estratégica - entre a Indonésia, Polinésia,China, Coréia e Japão , se tornou um entreposto comercial. Relatos antigos apontam comerciantes e representantes Okinawanos nas cortes imperiais da China e do Japão. Historicamente, Okinawa recebeu mais influências culturais da China do que do Japão.

Antes dividida em feudos, foi unificada por Sho Hashi, que se tornou rei designando o castelo de Shuri como centro administrativo.
Invadida pelo clã feudal de Satsuma (atual Kyushu) no séc. XVI, perdeu a independência e o porte de armas foi proibido entre seus cidadãos. Relatos históricos citam que o Karatê, como arte marcial, nasceu nesta época.

Depois da Segunda Guerra Mundial e da Batalha de Okinawa em 1945, Okinawa permaneceu sob a administração dos Estados Unidos por 27 anos. Durante esse período, os Estados Unidos estabeleceram lá várias bases militares.
Em 15 de maio de 1972, Okinawa foi devolvido ao Japão.

3. Histórico da Origem do Karatê em Okinawa:

Originalmente a palavra ''caratê'' era escrita com os ideogramas (Tang e mão) se referindo à dinastia chinesa Tang ou, por extensão, a mão chinesa, refletindo a influência chinesa nesse estilo de luta.

O karatê é provavelmente uma mistura de uma arte de luta chinesa levada a Okinawa por mercadores e marinheiros da província de Fujian com uma arte própria de Okinawa. Os nativos de Okinawa chamam este estilo de ''te'' (mão). Os estilos de karatê de Okinawa mais antigos são o ''Shuri-te'', ''Naha-te'' e ''Tomari-te'', assim chamados de acordo com os nomes das três cidades em que eles foram criados.

Em 1820 Sokon Matsumura fundiu os três estilos e deu o nome de ''shaolin'' (em chinês) ou ''shorin'' (em japonês), que são as diferentes pronúncias dos ideogramas (pequeno e bosque). Entretanto os próprios estudantes de Matsumura criaram novos estilos adicionando ou subtraindo técnicas ao estilo original. Gichin Funakoshi, um estudante de um dos discípulos de Matsumura, chamado Anko Itosu, foi a pessoa que introduziu e popularizou o karatê nas ilhas principais do arquipélago japonês.

O caratê de Funakoshi teve origem na versão de Itosu do estilo ''shorin-ryu'' de Matsumura que é comumente chamado de ''shorei-ryu''. Posteriormente o estilo de Funakoshi foi chamado por outros de ''shotokan''. O karatê foi popularizado no Japão e introduzido nas escolas secundárias antes da Segunda Guerra Mundial.

Como muitas das artes marciais praticadas no Japão, o karatê fez a sua transição para o ''karate-do'' no início do século XX. O ''do'' em ''karate-do'' significa caminho, palavra que é análoga ao familiar conceito de ''tao''. Como foi adaptado na moderna cultura japonesa, o karatê está imbuído de certos elementos do zen budismo, sendo que a prática do karatê algumas vezes é chamada de “zen em movimento”. As aulas freqüentemente começam e terminam com curtos períodos de meditação. Também a repetição de movimentos, como a executada no ''kata'', é consistente com a meditação zen pretendendo maximizar o autocontrole, a atenção, a força e velocidade, mesmo em condições adversas. A influência do zen nesta arte marcial depende muito da interpretação de cada instrutor.

A modernização e sistematização do karatê no Japão também incluiu a adoção do uniforme branco (''kimono'' ou ''karategi'') e de faixas coloridas indicadoras do estágio alcançado pelo aluno, ambos criados e popularizados por Jigoro Kano, fundador do judô. Fotos de antigos praticantes de karatê de Okinawa mostram os mestres em roupas do dia-a-dia.

Uma pequena reflexão sobre a origem do Karaté





Bodhiarma

Após vários anos de investigação, pesquisa e prática deste sempre novo e fascinante Mundo das Artes Marciais em geral, e do Karaté em particular, resolvi escrever este texto, com a qual pretendo apenas elucidar aqueles que agora chegaram ou pensam vir a iniciar este apaixonante caminho ( Via / Do ) em busca da Verdade.
Ao longo do texto irei fazer algumas reflexões sobre a história do karaté que deixo à vossa consideração, dado que sobre esta matéria não existem verdades absolutas e muitos dos mais importantes escritos e documentos eventualmente produzidos se perderam ao longo da história. A sua origem está remontada em lendas transmitidas oralmente de geração em geração, uma corrente lendária muito forte, bem como os próprios japoneses consideram Bodhiharma ( 28 º patriarca do Zen Budismo, que viveu no templo chinês de Shaolin, por volta de 525 da nossa era ) como o "´Pai lendário do Karate ", tendo aperfeiçoado as técnicas de artes marciais antigas da China e do Vajramusthi Indiano.
A História das Artes Marciais perde-se no tempo, podendo nesta reflexão iniciar a redescoberta do Karaté a partir da Ilha de Okinawa, que fica no centro de um arquipélago denominado pelos chineses de RyuKyu, que se estende desde o extremo sul do Japão até a ilha de Taiwan. Okinawa com os seus 1.500 Km2 ocupa sozinha mais de metade da superfície do RyuKyu.





Ilha de Okinawa / Japão
”Oki”: que quer dizer em Japonês oceano ou grande , e “nawa”: traduz-se por cadeia, corrente ou corda , essa ilha tem uma centena de quilómetros de comprimento para uma largura de 30 a 40 Km e seu aspecto é realmente de uma corda nodosa e flutuante.
A vida em Okinawa foi sempre dura e rude, para se adaptarem ao meio naturalmente hostil (a ilha era constantemente castigada por destruidores tufões), a que o habitante de Okinawa precisou forjar a vontade, engenhosidade e a sua tenacidade , qualidades que teria que ter em dobro, face aos sucessivos invasores que pretendiam subjugá-la a todo o custo. O instinto de sobrevivência faria surgir recursos de resistência, técnicas de combates a mãos nuas (ancestrais do Karate ) ou com armas (ancestrais do Kobudô).
Okinawa tinha uma posição privilegiada, estava entre o Japão, a China e o Sudeste Asiático (Vietnam,Tailândia,etc..) com isso se tornou um porto especialmente ativo. Nessa época por volta do século XIV, a Ilha se dividia em três reinos, Chuzan era o maior deles e compreendia o meio da ilha com Hokuzan ao norte e Nazan ao Sul. Sabe-se que em 1372, o rei okinawense Satto prestou voto de obediência ao Império Chinês Ming (1368-1644) ao qual passou a pagar tributo, e em 1349 o rei Chuzan faz uma aliança com a China dando origem a um intercambio entre ambos os reinos (chineses e okinawenses). As aldeias de Naha e Shuri tornaram-se cidades comerciais prosperas, entrepostos de todos os produtos do sudoeste asiático e onde se "acotovelavam" japoneses, chineses, indianos, malásios, tailandeses, árabes, etc... É também nessa época que a china da Dinastia Ming mandou para a ilha um importante grupo de artesãos e artistas - mencionados em antigos documentos como “As 36 Famílias”. Entre estes chineses encontravam-se indivíduos que tinham conhecimento de Boxe Chinês, surgem os primeiros vestígios de Shaolim Zu Kempo ou Chuan-fa, mas nada permite afirmar que essa arte tenha oficialmente sido introduzida por "verdadeiros mestres".
Em 1429, o Rei Sho Hashi unificou Okinawa, mas a queda deste império foi determinada por Sho Shi, que temendo a repetição dos conflitos e revoluções que se espalhavam pelo sudoeste asiático lança um édito , proibindo a manufactura e manuseio de armas pela população. Isso facilitou a invasão de Okinawa pelo Clan Satsuma do Japão que após uma resistência morna em 1609 tomou o Castelo de Shuri.
Mesmo depois da invasão o comércio e intercambio com a China permaneceu inalterado e mais tarde um representante militar chinês desembarcava em Okinawa. Seu nome era Kong Shang-Kung, ele ficou conhecido na ilha como Kushaku, e era um perito no sistema de Shaolin.
Em seus seis anos em Okinawa Kushaku ensinou o sistema ( To-te ) a dois okinowenses, Mestres Sakugawa e Kitan Yari. To-te começou a ser chamado karate na primeira metade do século XX, e embora a sua introdução tenha sido uma continua evolução, muito do karate que é ensinado hoje em dia, ao contrário da crença popular, está baseado no Boxe Chinês (principalmente da área de Fuchou ) e que foi trazido para Okinawa entre 1850 e 1950, alcançando o seu pico de introdução no final do século XIX.
Em 1669 o Clan Satsuma proibiu o uso de qualquer arma a não ser pelos Samurais, com esta lei teve origem a arte do Kobudo, utilizando as ferramentas básicas do seu dia a dia ( sai, tunfa,bo,kama,etc...) como armas. É difícil encontrar evidências de que okinawanos tenham desenvolvido técnicas de luta devido à proibição do uso de armas pelos governantes do clã Satsuma. Ao contrário, as evidencias demonstram que após 1609 , o ti era praticado como defesa pessoal e como meio de desenvolvimento físico pelos membros da nobreza. To-de seguiu um caminho semelhante e desenvolveu-se no final do séc. XIX e inicio do século XX no meio das classes shizoku e seus descendentes , principalmente aqueles que viviam em Naha,Tomari e Shuri.
No inicio do século XVII, o Japão saia de mais uma terrivel guerra civil onde o vencedor foi o clã dos Togukawa e o vencido o clã dos Satsuma , dirigido pela família Shimazu. O novo Shogum mostrou-se hábil em desviar o furor dos Satsuma, derrotados mas não destruídos para os Ryukyu, uma maneira astuciosa de se livrar do inimigo e estabelecer controle japonês sobre uma Ilha então submissa à China. Precisamente no dia 5 de Abril de 1609 os Satsuma se atiraram sobre Okinawa que caiu sob o jugo do clã invasor e assim ficou até 1879, quando a ilha se tornou parte do império japonês, incorporada ao Império de Mitsuhito.
O Japão em 1868 entra na era Meiji, que marcou a abolição do antigo sistema feudal e o nascimento de uma nova sociedade.Okinawa sempre manteve a posição de reino semi-independente até pouco depois da restauração Meiji.
Antes de 1879 as artes marciais eram reservadas às famílias mais nobres, e mesmo após essa data, poucas pessoas menos favorecidas (fosse de dinheiro, fosse de tradição ) tinham ânimo para praticá-las.
Logo após a ocupação, Shimazu proibiu novamente o uso de porte de armas e também qualquer tipo de prática marcial, mesmo com a proibição da prática de qualquer atividade marcial, os habitantes de okinawa continuaram a praticar em segredo o seu sistema de defesa pessoal, assim no século XVIII contempla-se o nascimento do TODE (mão chinesa) ou Okinawa-Tê , ancestral ao Karaté . Sem duvida o dominante das técnicas de combate de mãos nuas eram chinesas e tinham sua “origem” no mosteiro de Shaolin na China (Kung-Fu).
A proibição despertou o interesse pelas técnicas de combate e generalizou a prática até então restrita a uma minoria.
A existência do TI pode ser comprovada desde o início do século XVII através de um poema escrito pelo eminente professor okinawano nascido em 1663 chamado Teijunsoku (também conhecido como Nago Oyakata ) e que diz :
Não importa o quanto se esmere na arte do ti,
e nos seus esforços escolásticos,
nada é mais importante que o seu comportamento
e a sua humanidade conforme observado no quotidiano da vida
Foi com certeza uma época de treinamentos enfurecidos em lugares secretos, geralmente à noite, longe dos centros habitados entre discípulos de confiança. Este ambiente continuou até final do século XIX e explica em parte a falta de documentos escritos. Tecnicamente sabe-se pouco sobre este período, exceto que os pés e as mãos tornavam-se armas eficientes e rápidas, capazes de substituírem as lâminas banidas.
Devido a diversos fatores políticos a designação TODE de origem chinesa é alterada no seu kanji pelo mestre Gichin Funakoshi para Kara-te (mão vazia - japonês), dai para a sua oficialização pela Dai Nippon Butokukai foi um curto passo.
Durante anos o karate evoluiu em três linhas e três cidades distintas o Shuri-te de Shuri , o Naha-te de Naha e o Tomari-te de Tomari; cada um com características distintas:
Shuri-te = principalmente ofensivo, primava pela leveza e velocidade.
Naha-te = Principalmente defensivo primava pela poder interno e potente golpe.
Tomari-te = Era uma mescla de ambos e originou o estilo Shito-Ryu de Itosu.Neste século XVIII também pouco se pode afirmar já que eram ensaiados os primeiros katas, mas muitos movimentos e atitudes estavam camuflados nas danças tradicionais a fim de despistar a desconfiança das autoridades. Ainda hoje podemos verificar e analisar estes movimentos nas danças tradicionais de Okinawa.
Porém pouco a pouco, homens mais dotados surgiram, estilos se diversificaram e líderes que vieram a se tornar mestres codificaram o seu estilo.
No século XIX foi a época da eclosão do Karaté de Okinawa, logo no início desse século ou talvez no final século XVIII, as três grandes linhas mencionadas anteriormente surgiram em força.
Ao redor de Naha formou-se o Naha-Tê, suas técnicas lembram o Kung-Fu do sul da China, com ênfase na utilização dos membros superiores ( técnicas de punho curtas, circulares e destruidoras ), busca pelo corpo a corpo nas posições estáticas, pontapés baixos. É o estilo duro e flexivel que produzirá o Goju-Ryu designação criada pelo mestre Chojun Miyagi e que se distingue igualmente pela busca respiratória “IBUKI” uma forma de Chin-Kun Chinês ( busca pela mobilização da energia vital interna ). Os katas são variados e complexos: Seisan, Saifa, Sanseru, Sanchin, Tensho, Sanseru, Suparinpei, etc...
A popularidade do karate de okinawa cresceu em todo o mundo à medida que os próprios okinawanos passaram a emigrar para o exterior em busca de melhores oportunidades, aproveitando para ensinar esta fascinante e eficiente arte marcial.
Por :Leonardo Pereira – Jundokan Internacional e Portugal.
4.CONCLUSÃO:
O desenvolvimento histórico do Karatê é muito longo e se perde no tempo. Diz-se que no terceiro milênio antes de Cristo um príncipe Hindu desenvolveu uma arte de luta com as mãos e sacrificou muitos escravos nas suas experiências na busca de pontos vitais do corpo humano, Usando uma agulha, foi descobrindo os pontos veneráveis para aplicar os golpe de mão e pé e neutralizar oponente. Lendo ou não, assim começou o primeiro sistema científico de luta da história.
Este tipo de luta era denominado de VAJRAMUSHTI, que poderia se traduzido como :* Aquele cuja mão fechada é um diamante*. Provavelmente esta deve ser a mais antiga luta asiática sem uso de armas, parecida como o Karatê.
Este dois parágrafos foram tirados da pág 14 do livro do Prof. Aldo Lubes que no meu entendimento traz a * raiz * mais profunda desta arte, outras fontes de pesquisas citadas por mim também são importantes e nos trazem um belo fundamento histórico.
5.Bibliografia e Fontes de Consulta :
1.www.pref.okinawa.jp
2. Wikipédia, a enciclopédia livre
3. www.jip.no.sapo.pt (http://jip.no.sapo.pt/Links.htm)
4. Caminho do Karatê – Aldo Lubes – Editora UFPR -1994
5. www.karatebrasil.com.br
6. www.karatedobrasil.org.br

A Aplicação Terapêutica das Artes Marciais


INTRODUÇÃO

Muitas vezes as pessoas procuram tratar seus males das mais diversas formas possíveis. Tentam desde as armas mais convencionais, tais como, a medicina alopática, homeopática, acupuntura até as mais ortodoxas como cura espiritual, magnetismo, xamanismo, cromoterapia, etc.

Independente de qual forma seja tem-se uma preocupação em se tratar este mal já existente, do que tentar encontrar a causa dele, já que com certeza este mal começou a se formar em algum ponto de sua existência, já seja no plano mental, psíquico ou energético.


AS ARTES MARCIAIS E A SAÚDE

Existem dois tipos de Saúde. Uma forma de saúde que a pessoa adquire a custa de medicamentos e uma outra forma mais saudável que se consegue levando uma vida mais natural, sem tantos esquemas e condicionamentos a que está sujeito o homem moderno (embora a doença não seja privilégio apenas do homem moderno).

Uma pessoa que tenha uma boa alimentação durma bem todos os dias, seja alegre, tranqüilo, pratique algum esporte, hobby, ou seja, que esteja bem consigo mesmo terá menor probabilidade de adquirir algum mal, do que uma vida estressada porque seu negócio não dá certo, que coma desordenadamente, que leva uma vida sedentária.


E COMO AS ARTES MARCIAIS PODEM AJUDAR NESTA BUSCA?

Como dizem os médicos, terapeutas, uma prática física com constância pode levar o homem à longevidade. As Artes Marciais tem esse aspecto como um de seus pontos.

Se levarmos em conta nossa constituição física desde o mais denso ao mais sutil, o ser humano está composto por ossos, órgãos, vísceras, músculos, tendões, sangue. Com a prática das Artes Marciais estaremos soltando as tensões musculares, liberando as articulações, corrigindo as posturas, melhorando o fracionamento dos órgãos, oxigenando o cérebro e o sangue de uma forma que não se alcança com medicamentos.

Soltando as Tensões: em uma prática de Artes Marciais (salvo algumas) o primeiro passo para se conseguir realizar bem os movimentos é atingir um total relaxamento. Desde o momento do nascimento somos levados a pensar e a agir de acordo com o que os outros querem. Por nos anularmos assim o corpo cria mecanismos de defesa que são as tensões.

Coluna Vertebral: Considerada e eixo do ser humano, por ela passam canais de meridiano, nervos. Por isso quando temos algum problema com certeza isso se refletirá na coluna.

A coluna se divide em quatro partes, 3 delas articuláveis e uma fixa.

•Zona Cervical: reflete os problemas da cabeça.
•Zona Dorsal: reflete os problemas da zona média. Desde os pulmões até o plexo solar.
•Zona lombar: reflete os problemas da zona inferior. Problemas intestinais, renais, pernas.
•Zona Sacro Cocxigênea: Zona não articulável. Reflete os problemas com o nervo ciático, problemas sexuais, etc.

Se trabalharmos bem a coluna, seja com massagem e com correção postural teremos uma significativa melhora em todo o organismo.

Nas Artes Marciais é fundamental termos uma boa postura, por isso desde as primeiras classes se exige do aluno que comece a corrigir sua postura em conseqüência com o passar do tempo ele vai sentindo um bem estar, melhora o sono torna-se mais tranqüilo, sente que seu ritmo biológico torna-se mais padronizado, Isso ocorre porque com uma boa postura os órgãos, vísceras, ou seja, todo o organismo tem uma melhora em seu funcionamento.

Sistema Respiratório: Este é um outro ponto que damos muita importância nas Artes Marciais. O primeiro ato de um ser que nasce é respirar e também é o último, portanto não podemos passar um instante sem respirar. Um indivíduo que respire mal, normalmente tem uma vida agitada, enerva-se rapidamente, tem pouco poder de concentração, de autodomínio. Nas Artes Marciais o praticante aprende a respirar completo, com todo o seu sistema respiratório desde o baixo ventre até o cérebro, oxigenando todo o corpo. Com a prática constante suas atitudes vão mudando, melhora-se a concentração, tem mais clareza mental, além disto movimento abdominal trabalhará todos os órgãos internos.

Muito mais se poderia dizer deste tema em como produz melhoras no aparelho digestivo, no sistema cardiovascular, porém o mais importante é que o praticante saiba que com a prática ele passa a se conhecer fazendo uma auto-análise e terá técnicas suficientes passa a aplicar aquela que necessita em algum momento.

Aprenda com o Samurai

Provocações. Jamais permita que lhe roubem sua paz interior

Perto de Tokyo vivia um grande samurai, já idoso, que se dedicava a ensinar a filosofia zen aos jovens. Apesar da idade, corria a lenda que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um jovem guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para identificar os erros cometidos pelos outros, contra-atacava com velocidade fulminante.

Conhecendo a reputação de um samurai mais experiente, pensou que poderia derrotá-lo e, com isso, aumentar ainda mais sua fama. Todos os seus alunos se manifestaram contra a idéia, mas o velho samurai aceitou o desafio.

Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro apenas retirou-se, quieto.

Desapontados pelo fato de que o mestre tinha aceitado tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: “Como o senhor pôde suportar tanta humilhação? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, em vez de mostrar-se covarde diante de todos nós?”
“Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente?”, perguntou o samurai. “A quem tentou entregá-lo”, respondeu um dos discípulos. “O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos”, disse o samurai:

“Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava consigo. A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma, só se você permitir…”

O S S

segunda-feira, 15 de abril de 2013

GIRI OU VOCÊ TEM OU VOCÊ NÃO TEM !!!




GIRI OU VOCÊ TEM OU VOCÊ NÃO TEM !!!

GI (em japonês: 義) – Justiça e Moralidade, Atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar;
YUU (em japonês: 勇) – Coragem, Bravura heroica.
JIN (em japonês: 仁) – Compaixão, Benevolência.
REI (em japonês: 礼) – Polidez e Cortesia, Amabilidade.
MAKOTO (em japonês: 誠) – Sinceridade, Veracidade total.
MEIYO (em japonês: 誉) – Honra, Glória;
CHUU (em japonês: 忠) – Dever e Lealdade.


Giri (義理)

Não tem tradução para esta palavra. No dicionário consta como “senso de dever”. Freqüentemente, esta palavra aparece junto com uma outra: ninjo (人情), que quer dizer algo tipo “sentimento humanista”.
São palavras que descrevem antigos valores japoneses, que, dizem, estão sendo cada vez mais esquecidos nos dias atuais. Portanto, quando se fala em girininjo (義理人情) é uma coisa boa que existia no Japão e que aos poucos está desaparecendo.
Essa palavra se refere ao sentimento de obrigação que fica quando alguém nos faz um favor. Quando um japonês recebe um favor, ele não vai sossegar enquanto não puder fazer alguma coisa para retribuir.

Giri: Significa obrigação, dever; gratidão que faz nascer à honra.
Esse princípio liga as pessoas a tipos e graus específicos de obrigações com seus professores, mentores e superiores hierárquicos. Giri trás um profundo senso de honra e orgulho e, aqueles que seguem o Giri (professores, mentores e superiores), sacrificam sua vida pessoal a serviço aos seus subordinados.
Se alguém faz qualquer coisa para você, você começa a carregando uma obrigação ou como se diz no Japão (On). Um ON (dever ou obrigação) pode ser bom ou mal. Pode ser uma coisa grande ou ate mesmo insignificante, como um amigo que trás para você um presente de uma viagem, ou um insulto a sua honra.
Um velho provérbio japonês diz: “A morte é mais leve que uma pena de pombo, se comparada ao Giri que é mais pesado do que uma montanha”.
Compreender a nossa prática é um caminho sobremaneira complexo devido a alguns distanciamentos culturais. Contudo abaixo temos algumas definições escritas por Fred Lovrett com algumas poucas adaptações que são auxiliares aos alunos a verem o que é considerado de bom costume em nossa prática.
“No processo de se estudar uma arte oriental é inevitável que alguma da filosofia do país de origem seja absorvida. Isto é especialmente verdadeiro a aqueles alunos que adentram com profundidade na arte. Na realidade, é quase axiomático que se você algum dia desejar compreender a essência de qualquer forma de arte você precisa compreender o pensar daqueles que criaram a arte.
Uma das partes mais difíceis na filosofia japonesa para o ocidental compreender é seu complexo sistema de deveres e obrigações. Tais termos com ON, NINJO, GIRI e GIMU podem ser bem confusos e mesmo se as definições forem compreendidas, elas são difíceis de serem aceitas.
Vamos começar com o conceito de “ON”. Basicamente, um ON é uma obrigação. Se alguém faz qualquer coisa por (ou para) mim, eu diria que “eu estou carregando o seu ON.” Um ON pode ser pequeno ou amplo, bom ou mal. Pode ser uma coisa insignificante, tais como um amigo comprar um cafezinho… ou um insulto maior requerendo uma satisfação. De qualquer maneira, uma vez que você tenha aceitado este conceito como um modo de vida, é necessário que você mantenha um “arquivo” de todas as suas obrigações. (É considerado ruim ter que fazer lembrar ou se preocupar com as obrigações dos outros para com você).
Agora que você está vestido com todas estas obrigações – e é surpreendente quão rápido elas podem se acumular – o que vamos fazer com elas? Aquela pessoa sem dúvidas já se esqueceu que comprou um cafezinho, então porque você deve se preocupar com isto? Talvez você nunca mais o veja e mesmo se o ver, você não vai ser pego por um relâmpago se você se esquecer de que é a sua vez de comprar.
O que lhe assegura que você não se esqueça é chamado de GIRI. Você o tem ou não o tem… mas se você tiver o GIRI, você nunca se esquecerá. Chame-o de honra, dever ou o que seja… uma pessoa com GIRI é alguém que se pode confiar não 99.9% do tempo, mas 100% do tempo. GIRI demanda que todas as obrigações devem ser pagas em toda a extensão (com juros se requisitado). E os seus sentimentos pessoais nesta questão são completamente irrelevantes. Não importa que você não tenha querido que a pessoa comprasse o cafezinho para você – talvez você nem gostasse de café. Mas você recebeu um ON e GIRI demanda que seja saldado.
Um tipo especial de GIRI é conhecido como GIMU. GIMU se aplica a aqueles ON de tais magnitudes que, não importa o quanto você faça, você pode apenas dar de volta uma fração do débito. Um exemplo disto seria a obrigação do homem para a sua família ou país.
Quanto ao NINJO, isto é o que o seu coração lhe diz para fazer, e isto pode estar freqüentemente em conflito com o GIRI. É uma medida do homem se quem vencerá serão os seus sentimentos pessoais (NINJO) ou a sua honra (GIRI). A sua alegria não é material. Ou você vive pelo GIRI ou sem ele.

Agora, vamos ver como isto afeta a sua vida no Dojo. Quando você é aceito num Dojo, você imediatamente recebe um ON. Mesmo que você pague a sua parte pelo aluguel do Dojo, isto de forma alguma cancela o fato de que o Sensei lhe aceitou como aluno e, portanto depositou uma obrigação em você. O On é pago ao ser um BOM ALUNO. Coisas tais como mostrar respeito aos mais antigos, treinar com persistência, prestar atenção à aula, estar presente ao Dojo regularmente, tudo isto contribui em liquidar o ON original
Se você prosseguir ao ponto de aceitar o Sensei como seu mestre (e por sua vez aceito como discípulo) a questão se torna mais séria. Se você considerar o GIMU em vez do GIRI é uma questão pessoal. A compreensão de que uma pessoa que altera permanentemente a sua vida e a maneira de seu pensar leva as coisas além do simples GIRI, mas, isto é uma observação pessoal. Lembre-se que ninguém pode te forçar a aceitar GIRI e que se você aceitar, nunca deverá permitir que suas vontades pessoais interfiram.
No principio do seu treinamento todo o GIRI é para cima. Entretanto cada promoção lhe põe uma nova carga do ON, tanto para cima como para baixo. O seu instrutor lhe promoveu de onde você estava assim aumentando as suas obrigações para com ele. O novo grau também aumentou as suas responsabilidades para com os mais novos e para com o Dojo em si. Como sempre, com o grau e a autoridade vem à responsabilidade e a obrigação.
GIRI NÃO É DIVERTIMENTO! Quase todos os alunos novos que entram para um Dojo perguntam sobre “treinamento espiritual”. O conceito de GIRI é uma parte do processo espiritual, uma parte importante. Se você pede para estudar O CAMINHO (DO), não se queixe se ele machucar. Você não faz uma espada acariciando um pedaço de ferro…
Oss!

Shin-Gi-Tai [心技体]




Shin-Gi-Tai [心技体]

Era comum nos Dojô [道場] antigos de artes marciais japonesas haver um quadro na parede onde se podiam ler três caracteres: Shin [心], Gi [技] e Tai [体]. Estes três caracteres representavam as antigas diretivas mestras, ou seja, as características mais importantes que todos os Budokas [武道家] (artistas marciais) deveriam esforçar-se em aperfeiçoar:
• Shin [心] (Kokoro) - Espírito, alma.
• Gi [技] (Waza) - Técnica(s).
• Tai [体] (Karada) - Condicionamento físico, manutenção física do corpo.
O Shin-gi-tai aplica-se, assim, ao desenvolvimento do Budoka:
Shin = formação de caráter, domínio do corpo e da mente, filosofia;
Gi = técnicas, estratégia, formas de treino e conceitos;
Tai = conhecimento interior do corpo, preparação física.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Dachi - Posições


Heikō-dachi

Zenkutsu dachi

Kōkutsu-dachi



Kata Diagramas e Significados

Significado de cada Kata

Heian-shodan/ Piñan-shodan
"Paz (Hei)e tranquilidade(an)" /kata básico, desenvolvido para treinamento e aperfeiçoamento de técnicas básicas, inicialmente era chamado Heian Nidan

Heian-nidan
"Paz (Hei)e tranquilidade(an)" / idem anterior, era chamado Heian Chodan

Heian-sandan
"Paz (Hei)e tranquilidade(an)"










Veja a Materia completa em: Kata

A Aplicação Terapêutica das Artes Marciais


INTRODUÇÃO

Muitas vezes as pessoas procuram tratar seus males das mais diversas formas possíveis. Tentam desde as armas mais convencionais, tais como, a medicina alopática, homeopática, acupuntura até as mais ortodoxas como cura espiritual, magnetismo, xamanismo, cromoterapia, etc.

Independente de qual forma seja tem-se uma preocupação em se tratar este mal já existente, do que tentar encontrar a causa dele, já que com certeza este mal começou a se formar em algum ponto de sua existência, já seja no plano mental, psíquico ou energético.


AS ARTES MARCIAIS E A SAÚDE

Existem dois tipos de Saúde. Uma forma de saúde que a pessoa adquire a custa de medicamentos e uma outra forma mais saudável que se consegue levando uma vida mais natural, sem tantos esquemas e condicionamentos a que está sujeito o homem moderno (embora a doença não seja privilégio apenas do homem moderno).

Uma pessoa que tenha uma boa alimentação durma bem todos os dias, seja alegre, tranqüilo, pratique algum esporte, hobby, ou seja, que esteja bem consigo mesmo terá menor probabilidade de adquirir algum mal, do que uma vida estressada porque seu negócio não dá certo, que coma desordenadamente, que leva uma vida sedentária.


E COMO AS ARTES MARCIAIS PODEM AJUDAR NESTA BUSCA?

Como dizem os médicos, terapeutas, uma prática física com constância pode levar o homem à longevidade. As Artes Marciais tem esse aspecto como um de seus pontos.

Se levarmos em conta nossa constituição física desde o mais denso ao mais sutil, o ser humano está composto por ossos, órgãos, vísceras, músculos, tendões, sangue. Com a prática das Artes Marciais estaremos soltando as tensões musculares, liberando as articulações, corrigindo as posturas, melhorando o fracionamento dos órgãos, oxigenando o cérebro e o sangue de uma forma que não se alcança com medicamentos.

Soltando as Tensões: em uma prática de Artes Marciais (salvo algumas) o primeiro passo para se conseguir realizar bem os movimentos é atingir um total relaxamento. Desde o momento do nascimento somos levados a pensar e a agir de acordo com o que os outros querem. Por nos anularmos assim o corpo cria mecanismos de defesa que são as tensões.

Coluna Vertebral: Considerada e eixo do ser humano, por ela passam canais de meridiano, nervos. Por isso quando temos algum problema com certeza isso se refletirá na coluna.

A coluna se divide em quatro partes, 3 delas articuláveis e uma fixa.

•Zona Cervical: reflete os problemas da cabeça.
•Zona Dorsal: reflete os problemas da zona média. Desde os pulmões até o plexo solar.
•Zona lombar: reflete os problemas da zona inferior. Problemas intestinais, renais, pernas.
•Zona Sacro Cocxigênea: Zona não articulável. Reflete os problemas com o nervo ciático, problemas sexuais, etc.

Se trabalharmos bem a coluna, seja com massagem e com correção postural teremos uma significativa melhora em todo o organismo.

Nas Artes Marciais é fundamental termos uma boa postura, por isso desde as primeiras classes se exige do aluno que comece a corrigir sua postura em conseqüência com o passar do tempo ele vai sentindo um bem estar, melhora o sono torna-se mais tranqüilo, sente que seu ritmo biológico torna-se mais padronizado, Isso ocorre porque com uma boa postura os órgãos, vísceras, ou seja, todo o organismo tem uma melhora em seu funcionamento.

Sistema Respiratório: Este é um outro ponto que damos muita importância nas Artes Marciais. O primeiro ato de um ser que nasce é respirar e também é o último, portanto não podemos passar um instante sem respirar. Um indivíduo que respire mal, normalmente tem uma vida agitada, enerva-se rapidamente, tem pouco poder de concentração, de autodomínio. Nas Artes Marciais o praticante aprende a respirar completo, com todo o seu sistema respiratório desde o baixo ventre até o cérebro, oxigenando todo o corpo. Com a prática constante suas atitudes vão mudando, melhora-se a concentração, tem mais clareza mental, além disto movimento abdominal trabalhará todos os órgãos internos.

Muito mais se poderia dizer deste tema em como produz melhoras no aparelho digestivo, no sistema cardiovascular, porém o mais importante é que o praticante saiba que com a prática ele passa a se conhecer fazendo uma auto-análise e terá técnicas suficientes passa a aplicar aquela que necessita em algum momento.

SOBRE O “KI”

Segundo o conceito oriental, há milênios desenvolveu-se no oriente uma doutrina que relaciona uma energia com todas as coisas existentes. A esta energia os chineses deram o nome de “CHI”, os Hindus de “PRANA”, os japoneses de “KI”, atualmente denominam-na “Bioenergia”.

O fato de não a percebermos não quer dizer que não exista, pois sem ela não existiria a vida. Também não vemos as emoções, mas pelo fato de senti-las não duvidamos de sua existência, o mesmo ocorre com os pensamentos. O “Ki” não se vê ou acredita, se sente. Um verdadeiro mestre em artes marciais com certeza dirá que seus golpes não se processam apenas a nível muscular e sim que há uma força além do físico muito mais suave, porém muito mais potente que emana de algum ponto de seu ser.

Segundo o pensamento oriental no começo sem começo, o universo infinito não se manifestava como fenômeno, era Uno. Desta unidade não havia movimento, nem futuro, nem qualquer fenômeno relativo. Esta unidade separou-se formando dois espirais de energia que iam da periferia para o centro e do centro para periferia, gerando duas forças primárias; uma centrípeta, contrativa denominada “YANG”, e a segunda expansiva, centrifuga denominada “YIN”. Todos os fenômenos, movimentos existentes no Universo são regidos por estas duas forças.

Estas duas forças são antagônicas e complementares entre si. A força ”YANG” é o caminho da materialização e a “YIN” é via espiritual. Tudo no universo está regido por estas duas forças e enquanto manifestado nada pode fugir a elas. Exemplos de expressão destas forças: Céu e Terra, Homem e Mulher, Sol e Lua, Espírito e Matéria, Bem e Mal, Belo e Feio, etc.

Nada é absoluto em se tratando destas duas forças, pois cada uma leva dentro de si o germe da outra, ou seja, nada é totalmente “YANG” e nada é totalmente “YIN”, apenas que em determinados momentos estão mais “YANG” ou mais “YIN”, mas que inevitavelmente em se atingindo o extremo de uma força se passará a outra. Dentro deste princípio podemos dizer que não devemos nos desesperar com situação nenhuma, por pior que seja, pois ela não é definitiva.

Por exemplo: uma situação onde uma pessoa está no auge de uma doença a única possibilidade possível é de haver uma mudança, ou seja, adquirido um melhor estado de saúde ou morrendo. Em ambos os casos houve uma mudança de polaridade seja se recuperando ou passando de um estado de matéria para um estado de não matéria.

Outro exemplo: se uma pessoa atinge dentro de uma empresa o cargo máximo a única possibilidade de mudança será perder este cargo. E assim todas as coisas que ocorrem no universo seguem esta lei de bipolaridade.

O famoso “I CHING”, livro chinês de sabedoria e previsões baseia-se nestas verdades daí ser chamado o livro das mutações. Na consulta aos hexagramas ele propõe ao consulente paciência e confiança no futuro que as situações se alterarão, e realmente não há nada que escape a essa “lei”, tudo é uma questão de tempo.

O KIAI

"Kiai” é um termo japonês utilizado no Budo e que se compõe dos Kanji: 気, que se lê “Ki”, e que designa a energia interna, espírito, mente ou vontade. 合, que se lê “Ai”, contração do verbo ”Awasu” que significa unir.

Para os adeptos de uma tradução literal, poderá inferir-se daí o sentido de ”unir o espírito”, mente ou vontade, como a combinação dos Kanji sugere, pelo que a tradução livre passará pela idéia de concentrar a mente ou a vontade num só objeto ou propósito.

O conceito japonês, em si, veio da influência Chinesa e do grito utilizado pelos monges de Shaolin ao exercitar o “Qi Gong”. Apesar de ter sido disseminado devido à propagação da prática do Karate-Do, o Kiai pode encontrar-se em quase todas as artes marciais, nomeadamente sob outras designações, como será o caso das artes marciais de origem coreana, onde tem o nome de Kihap.

Também é chamado “o grito que mata” e existem inúmeras lendas que lhe atribuem estranhos poderes - segundo algumas seria possível, através dele, paralisar ou mesmo matar um adversário. Contam as lendas que o som produzido pelo Kiai pode produzir efeitos psicológicos, nomeadamente desconcentrando o adversário. A parte não mítica será a de que numa situação de combate, um simples piscar de olhos é o suficiente para criar uma abertura que possa ser utilizada em nosso favor - é o que alguns mestres japoneses costumam chamar de Kiai o Kakeru – “revelar o Kiai” - que significa surpreender o oponente com um grito acompanhado de uma concentração muscular no centro de gravidade ou Hara (o que equivale a dizer que se vier apenas da garganta não tem utilidade) e que pode ser usado não só em situações de ataque, mas também de defesa.

Na realidade, mostram-nos os olhos da ciência atual, que se trata do uso consciente de um mecanismo que já todos usamos correntemente e que é feito através da contração abdominal quando se levanta um peso, aliado ao ato de expirar, enquanto forma rudimentar de Kiai. Desta forma, o Kiai está profundamente ligado à respiração e pode ser dividido em duas fases: A contração e o impulso.

Na primeira fase dá-se a contração dos músculos abdominais e inspiração. Enquanto a contração abdominal prepara a impulsão da energia, a inspiração favorece a circulação do oxigênio indispensável a qualquer atividade.

Na segunda fase dá-se a ação propriamente dita (levantar pesos, atirar, empurrar ou desempenhar uma técnica). Quando o ar é expelido, este é acompanhado de um grito, o Kiai, que pode ter qualquer sonoridade que seja adequada ao executante, embora seja mais freqüentemente monossilábico. Experimente-se, em situações de tensão muscular, suster a respiração - o resultado será o aumento da pressão sanguínea de uma forma prejudicial não só ao organismo mas também à atividade em causa.


Segundo a tradição, existem duas formas de Kiai:

Grito sonoro que provém do Hara (centro de gravidade situado no baixo ventre, mais precisamente entre os ossos da bacia, e que condiciona a estabilidade do corpo e os seus movimentos) e que é simultâneo à expiração e à contração abdominal.

Grito silencioso que projeta a energia e que se pode manifestar no olhar. Têm o mesmo objetivo que os anteriores, emitir vibrações susceptíveis de perturbar o adversário, mas também reanimar aqueles que perderam os sentidos graças ao choque produzido pela vibração.

Enfim, entre a lenda e a ciência, a verdade é que o Kiai faz parte de qualquer arte marcial, principalmente no Karate-Do, e amplamente utilizado ao nível do Kata. Uma das questões que mais se debate é, afinal onde se situa o Kiai de um Kata?

Efetivamente, a nível competitivo há uma localização específica, mas isso, nas palavras de um mestre do Karate-Do, seria “executar quando sentir o momento”…


* Autor Desconhecido.


Fonte: http://xlandxs.wordpress.comEsta mensagem foi enviada por Denis Andretta.

Termos usados no Dojo e como deve ser a conduta no Dojo

Como deve ser a conduta no Dojo
É preciso que todo praticante de karatê saiba como se portar dentro do dojo, (local onde se treino), ou mesmo perante um professor ou colega de treino.
Antes de tudo, o local de treino deve ser respeitado, não devendo jamais usar sapatos dentro dele, mesmo que esteja só praticando ginástica.
O aluno mais novo de graduação não deve chamar o mais antigo para treinar luta (kumitê), no caso de ser convidado para treinar, não deve rejeitar mesmo estando cansado, e no caso de estar ferido, dirigir-se primeiro ao local de luta e depois se explicar que está ferido, mas não dizer que não pode.Neste caso o mais antigo é que deve avaliar a situação, de acordo com sua própria experiência.
Durante o descanso das aulas, procurar ficar em atitude de respeito, evitando cruzar os braços e por as mão na cintura.



Termos usados em Campeonatos, Competições
AKA- vermelho
SHIRO - branco
SHOMEN NI REI- cumprimento para frente
SHINPAN NI REI -cumprimento aos árbitros
OTAGAI NI REI- cumprimento entre os lutadores
SAGATE SUWATE- recuar e sentar
NAKAE- orden para entrar na área da luta
SHOBU IPPON HAJIME- inicia a luta - disputa por um ponto
TSUZUKETE HAJIME -reiniciar a luta
YAME- para a luta
AKA JOGAI IKKAI- vermelho saiu da área de luta uma vez
AKA JOGAI NIKAI SHIRO WAZA ARI- vermelho saiu da área de luta duas vezes - meio ponto para o branco
SHIRO JOGAI NIKAI SHIRO WAZA ARI- branco saiu da área de luta duas vezes - meio ponto para o vermelho
YOWAI- golpe fraco
TORIMASEN -não marcou ponto
AIUCHI- lutadores aplicaram golpes simultâneos
MIENAI- árbitro não viu
ATOSSHIBARAKU- 30 segundos para o fim da luta
SOREMADE- fim da luta
JIKAN - tempo reunião de determinados árbitros auxiliares
FUKUSHIN SHUGO- reunião de todos árbitros auxiliares
HANTEI- decisão dos árbitros
KETEISEN- luta decisiva
KEIKOKU -infração leve
CHUI- infração moderada
HANSOKU- infração grave
TAIDO- conduta anti-esportiva
SHIKKAKU - desclasificado
MUNO SHIKKAKU- desclasificado não sabe karate
WAZA ARI - meio ponto - golpe semi-perfeito
IPPON- um ponto - golpe perfeito
AWASETE IPPON - dois
WAZA ARI- reconhecidos como um
IPPON AKA NO KACHI- vitória do vermelho
SHIRO NO KACHI- vitória do branco
AKA KIKEN SHIRO NO KACHI - desistência do vermelho - vitória do branco
SHIRO KIKEN AKA NO KACHI- desistência do branco - vitória do vermelho



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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Kihon e Kumite (Videos)

Os Videos abaixo são para se ter noção pois cada Escola tem sua variação mas todos seguem a mesma "Forma"